
Fonte: Agência Brasil
A queda de 26% nas exportações brasileiras para o Oriente Médio, registrada em março após o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, pressiona setores estratégicos da economia e pode gerar reflexos indiretos em regiões produtivas como Três Lagoas e entorno.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que o recuo foi puxado pelo agronegócio. A exportação de carne suína caiu 59%, a de frango recuou cerca de 22% e a soja teve retração de 25% — produtos que sustentam cadeias relevantes em Mato Grosso do Sul.
O impacto tende a se espalhar pela base produtiva. A redução da demanda externa pode pressionar preços, desacelerar a produção e atingir setores ligados à logística, serviços e fornecimento industrial, com efeitos graduais sobre emprego e renda.
Mesmo com esse cenário, o governo projeta superávit comercial de US$ 72,1 bilhões em 2026. A estimativa se apoia no desempenho de outros segmentos, como o petróleo — que avançou mais de 70% em março — e na manutenção de mercados fortes, como a China, que ampliou compras em 17,8%.
O resultado expõe um descompasso: enquanto a balança comercial se mantém positiva no agregado, segmentos diretamente ligados à exportação de alimentos já começam a sentir os efeitos da instabilidade internacional.
A evolução do conflito e a reação dos mercados devem definir o ritmo desses impactos nos próximos meses, com possíveis reflexos em preços, custos logísticos e atividade econômica.