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Vagas de fim de ano e dispensas em janeiro expõem a forte sazonalidade do comércio no Noroeste Paulista

Levantamento da FecomercioSP mostra “efeito gangorra” no emprego formal; após pico de contratações no fim de ano, interior paulista liderou cortes de janeiro, mas estoque de vagas mantem crescimento a longo prazo.

Ygor Andrade
Por: Ygor Andrade Fonte: FECOMERCIO SP
28/05/2026 às 13h08
Vagas de fim de ano e dispensas em janeiro expõem a forte sazonalidade do comércio no Noroeste Paulista
FOTO: PREFEITURA DE ARAÇATUBA

O mercado de trabalho formal no comércio segue operando em um ritmo de forte rotatividade e dependência dos ciclos comemorativos do varejo. Dados recentes da Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (PESP Comércio), apurada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), revelam como as contratações temporárias de fim de ano injetam fôlego no setor, sendo rapidamente absorvidas pelo tradicional ajuste de estoques e pessoal que ocorre logo no início de cada ano.

Embora o indicador consolide os números estaduais, a dinâmica do "efeito gangorra" se repete de forma idêntica e muito nítida nas principais cidades do Noroeste Paulista, onde o comércio varejista é um dos grandes motores da economia local.

O "efeito gangorra": do pico de novembro ao tombo de janeiro

A análise dos últimos meses demonstra claramente a volatilidade do setor. O ápice das contratações no período recente ocorreu em novembro de 2025, mês em que o comércio paulista registrou um saldo expressivo de +20,45 mil novas vagas com carteira assinada. Esse movimento foi fortemente impulsionado pela preparação das equipes para datas críticas do calendário comercial, como a Black Friday e o Natal. No Noroeste Paulista, esse reflexo é sentido diretamente no comércio de rua e nos centros de compras da região.

No entanto, o fôlego do fim de ano foi dissipado com o início do ano seguinte. Em janeiro de 2026, o indicador registrou o seu pior resultado no histórico recente, com o fechamento líquido de -20,68 mil postos de trabalho. Esse corte massivo reflete o encerramento dos contratos temporários e a desaceleração natural do consumo que se segue às festividades.

Após o forte recuo do primeiro mês do ano, o comércio deu sinais de recuperação e estabilização, fechando o período seguinte com um saldo positivo de +4,76 mil vagas.

Interior dita o ritmo das contratações e demissões

Outro ponto de destaque mapeado pela PESP Comércio é a distribuição regional dessas vagas, evidenciando que a força do comércio paulista vai muito além da Capital. O interior e as demais regiões metropolitanas exercem um impacto numérico muito agressivo nas flutuações.

No pico de novembro de 2025, das mais de 20 mil vagas geradas no estado, a Capital respondeu por apenas +4,55 mil postos. Já no tombo de janeiro de 2026, quando o estado perdeu 20,68 mil empregos, a Capital registrou a extinção de -6,56 mil vagas. O restante do saldo — a esmagadora maioria —, em ambos os casos, foi distribuído pelas cidades do interior. Isso mostra como a economia de regiões como o Noroeste Paulista é sensível a esses ciclos de contratações e demissões brutas, que mensalmente movimentam entre 140 mil e 160 mil admissões e desligamentos em todo o território paulista.

Diagnóstico: Estoque de empregos preservado a médio prazo

Apesar da forte oscilação mensal provocada pela sazonalidade, o balanço de médio prazo traz um dado alentador para os empresários e trabalhadores do Noroeste Paulista: a sustentabilidade do estoque total de empregos.

O volume total de trabalhadores ativos com carteira assinada no comércio do Estado mantém-se firmemente consolidado acima da marca de 3 milhões de vínculos formalizados. A série histórica demonstra que o estoque saltou de aproximadamente 2,95 milhões de trabalhadores em agosto de 2024 para patamares superiores a 3,03 milhões no primeiro trimestre de 2026.

Esse crescimento gradual do estoque total prova que, mesmo com as demissões em massa que ocorrem tradicionalmente em janeiros, o comércio regional e estadual mantém uma trajetória de resiliência e expansão estrutural da sua força de trabalho formal.

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