16°C 29°C
Castilho, SP
Publicidade

Retomada da UFN-3 destrava investimento de R$ 5 bilhões e projeta 8 mil empregos em Três Lagoas

Obra da Petrobras volta após 12 anos paralisada e deve ampliar produção nacional de fertilizantes, reduzindo dependência de importações

Ygor Andrade
Por: Ygor Andrade Fonte: GOV. BRASIL / RCN 67
26/06/2026 às 11h16 Atualizada em 26/06/2026 às 11h31
Retomada da UFN-3 destrava investimento de R$ 5 bilhões e projeta 8 mil empregos em Três Lagoas
FOTOS: RCN 67

FONTE
Governo do Brasil | RCN67 - Ana Cristina Santos

A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas, foi oficializada nesta quinta-feira (25) com assinatura de contratos da Petrobras e presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto, paralisado desde 2014, prevê investimento de cerca de R$ 5 bilhões, geração estimada de 8 mil empregos e impacto direto na produção nacional de fertilizantes. A medida é estratégica porque reduz a dependência brasileira de importações, hoje superiores a 80% no setor.

A obra da UFN-3 foi iniciada em 2008 e atingiu aproximadamente 81% de execução antes de ser interrompida em 2014. A nova fase inclui não apenas a conclusão das estruturas, mas também inspeção e recuperação de equipamentos que ficaram inativos por mais de 10 anos.

Durante a cerimônia em Três Lagoas, a Petrobras formalizou contratos com diferentes empresas responsáveis pela execução dos lotes da obra, adotando um modelo dividido em 11 frentes de trabalho, o que ampliou a concorrência e resultou em economia estimada em cerca de R$ 620 milhões.

Quando concluída, a unidade terá capacidade para produzir diariamente 3.600 toneladas de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia, totalizando cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano.

O volume representa aproximadamente 15% da demanda nacional do insumo, utilizado em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão.

A retomada ocorre em um cenário em que o Brasil ainda importa mais de 85% dos fertilizantes consumidos no campo. Com a reativação da UFN-3 e de outras unidades da Petrobras, a projeção é alcançar até 35% do mercado nacional de ureia até 2029.

Além do investimento industrial, o projeto prevê forte impacto regional na geração de empregos e movimentação da economia local. Setores como comércio, transporte, hotelaria e alimentação devem ser diretamente beneficiados durante a fase de obras.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou ainda o programa Autonomia e Renda Três Lagoas, com oferta de 1.400 vagas em cursos de qualificação profissional, em parceria com Sesi, Senai e institutos federais.

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou que a UFN-3 integra o Novo PAC, que também concentra investimentos em infraestrutura urbana, habitação, saúde e mobilidade em Três Lagoas.

Entre as ações citadas estão obras de contorno rodoviário, policlínica, macrodrenagem e construção de unidades habitacionais.

Durante o evento, a ex-ministra e ex-prefeita de Três Lagoas, Simone Tebet, relembrou o período de estruturação do projeto no município e destacou a importância do fornecimento de gás natural para viabilizar a operação da unidade.

O presidente Lula reforçou que a retomada da fábrica está ligada à estratégia de soberania nacional na produção de fertilizantes e criticou a longa paralisação do empreendimento.

A retomada da UFN-3 marca a reativação de um dos maiores projetos industriais do setor de fertilizantes no país e recoloca Três Lagoas no centro de uma cadeia produtiva estratégica para o agronegócio brasileiro.

A expectativa é de que a unidade entre em operação até 2029, com potencial de reduzir custos de produção agrícola e ampliar a segurança no fornecimento de insumos essenciais.

A evolução das obras deve ser acompanhada ao longo dos próximos meses, especialmente no avanço dos lotes de construção e na geração de empregos locais vinculados ao empreendimento.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.