
A dificuldade de permanecer na escola por falta de renda começa a recuar no Brasil — e os números indicam um efeito direto no dia a dia dos estudantes. O Programa Pé-de-Meia reduziu em 43% o abandono escolar no ensino médio em apenas dois anos, segundo dados do Ministério da Educação.
A taxa de evasão caiu de 6,4% em 2024 para 3,6% em 2025, refletindo o impacto de uma política que atua diretamente na principal causa de saída precoce da escola: a necessidade de contribuir com a renda familiar.
O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Camilo Santana, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante agenda em Fortaleza. A iniciativa funciona como uma poupança vinculada à permanência do estudante na escola, criando uma rede de incentivo financeiro para garantir a conclusão do ensino médio.
Na prática, o programa atua onde a evasão começa: no conflito entre estudar e trabalhar. Ao oferecer suporte financeiro, o Pé-de-Meia reduz a pressão econômica sobre jovens que, historicamente, deixam a sala de aula para ajudar em casa.
O impacto não se limita à permanência. Dados do MEC mostram que a reprovação escolar caiu 33% no mesmo período, enquanto o atraso escolar — quando o aluno está fora da idade adequada para a série — teve redução de 27,4%. No 3º ano do ensino médio, a queda na distorção idade-série chegou a 63%, indicando avanço na progressão dos estudantes.
O alcance do programa também chama atenção. Desde a criação, 5,6 milhões de estudantes foram beneficiados, o equivalente a 54% dos alunos da rede pública de ensino médio no país. O investimento federal somou R$ 18,6 bilhões entre 2024 e 2025.
Ao comentar os resultados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o papel estratégico da educação no desenvolvimento do país. “Nenhum país se desenvolveu sem investir na formação do seu povo, que gera conhecimento, cidadania e soberania”, afirmou.
Já o ministro Camilo Santana destacou o efeito direto do programa na realidade dos estudantes. “Muitos jovens abandonavam a escola para ajudar no orçamento familiar. O Pé-de-Meia muda essa lógica e cria condições para que eles permaneçam estudando”, pontuou.
O programa é voltado a estudantes da rede pública inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), com inclusão automática. Ao longo do ensino médio, os valores podem chegar a R$ 9,2 mil por aluno, incluindo bônus pela participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Mais do que um incentivo financeiro, o Pé-de-Meia reposiciona a escola como prioridade possível — especialmente para quem, até então, precisava escolher entre estudar ou sobreviver.