
Fonte: Da Redação
A evasão escolar ainda é um dos principais desafios da educação pública no país. Em muitos casos, o afastamento do aluno não começa na sala de aula, mas fora dela, quase sempre dentro de casa, na rotina, nas dificuldades que nem sempre aparecem nos registros oficiais.
Foi a partir desse olhar que a gestora escolar Josiani da Costa Almeida Gomes, natural de Castilho, construiu o trabalho que a levou ao 1º lugar no Prêmio Professor Transformador, na categoria Gestão Escolar.

A conquista não nasceu de uma ação isolada, mas de uma mudança de abordagem. Em vez de tratar a ausência como um simples indicador, a proposta foi entender a causa. E, para isso, foi preciso transpor os muros da escola.
O projeto “Café com afeto: Tecendo o Esperançar” parte de um movimento simples: aproximar. A equipe visita famílias, escuta histórias e busca reconstruir o vínculo entre aluno e escola — um processo que, muitas vezes, ultrapassa a aprendizagem e passa pela confiança.
“Ensinar não é só conteúdo. É acolher, orientar e acreditar no potencial de cada estudante, mesmo quando ele próprio já não acredita”, resume a gestora.
O diferencial está justamente nessa mudança de postura. A busca ativa deixa de ser apenas uma cobrança e passa a ser um gesto de cuidado. O café da manhã, que dá nome ao projeto, simboliza essa aproximação; é um momento de escuta, de diálogo e de recomeço.
Os efeitos aparecem no cotidiano. Os alunos retornam à escola, as famílias se reaproximam, e a escola passa a ocupar um lugar mais próximo da comunidade. O impacto, embora difícil de medir apenas em números, se traduz em permanência e pertencimento.

A iniciativa ganhou forma a partir da prática e, diante dos resultados, foi inscrita no prêmio estadual. O reconhecimento veio como consequência.
“Quando iniciamos, o objetivo sempre foi fazer o melhor possível pelos alunos. O prêmio é uma surpresa muito bonita, mas também traz uma responsabilidade ainda maior”, afirma.
O momento da conquista foi marcado por emoção. Para além do resultado, o caminho percorrido ganhou peso.
“Passa um filme na cabeça. Cada visita, cada conversa, cada história. E fica claro que não é um trabalho individual. É coletivo”, destaca.
Hoje, o projeto segue para a etapa nacional, levando não apenas o nome de Três Lagoas, onde é desenvolvido, mas também a marca de uma profissional que carrega a origem em Castilho — um talento formado na região e que hoje impacta outras realidades.
Esse movimento, cada vez mais comum, reforça o papel de profissionais do interior na construção de soluções práticas para desafios complexos da educação pública no país e que pode se transformar em modelo para os grandes centros.
No núcleo de tudo, permanece a convicção que guiou a escolha pela profissão: a educação como ferramenta de transformação.

“A gente aprende que, muitas vezes, o aluno só precisa de alguém que não desista dele. Quando esse vínculo é reconstruído, o caminho volta a existir”, resume.
A experiência agora se projeta para além da escola e do município, com potencial de inspirar outras redes — mantendo como base aquilo que gerou resultado: presença, escuta e vínculo.
O próximo passo é ampliar esse alcance, sem perder o princípio que sustenta o trabalho: olhar para cada aluno como uma história que ainda pode ser retomada.