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Amanda da Silva é identificada como vítima de esquartejamento em Rio Preto

Mãe de três filhos, mulher de 30 anos enfrentava dependência química e estava desaparecida desde julho; suspeito confessou o crime e permanece preso

Ygor Andrade
Por: Ygor Andrade Fonte: GAZETA DE RIO PRETO/ KAROL GRANCHI
19/08/2026 às 15h46
Amanda da Silva é identificada como vítima de esquartejamento em Rio Preto
FOTO: REPRODUÇÃO REDES SOCIAIS

A mulher encontrada morta e esquartejada em São José do Rio Preto foi identificada como Amanda da Silva, de 30 anos. A confirmação foi feita pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), em São Paulo, por meio do confronto das impressões digitais encontradas nas mãos e nos antebraços localizados durante as buscas. Natural de Jandira, na Grande São Paulo, Amanda vivia em Rio Preto havia aproximadamente sete anos e deixou três filhos, de 4, 5 e 7 anos.

Segundo familiares, Amanda enfrentava a dependência química desde os 13 anos, em uma trajetória marcada por tratamentos, períodos de recuperação e recaídas. A família também esclareceu que ela não vivia em situação de rua, como chegou a ser considerado no início da investigação. Ela tinha onde morar e, em alguns períodos, permanecia na casa de amigos. Apesar das dificuldades, familiares relatam que Amanda mantinha forte vínculo com os filhos e procurava acompanhar a rotina das crianças. Ela também era descrita como uma mulher vaidosa, ligada à fé e à família.

ENTENDA O CASO

Amanda desapareceu em 19 de julho, depois de sair da casa de uma prima, no bairro Solo Sagrado. Ela disse que retornaria em pouco tempo, mas não voltou. Oito dias depois, em 27 de julho, partes de um corpo humano foram encontradas dentro de sacos plásticos descartados em lixeiras na região do Parque Estoril. Outros segmentos foram localizados posteriormente, incluindo mãos e antebraços no piscinão do bairro.

A Polícia Civil passou a cruzar registros de pessoas desaparecidas e casos de perda de contato com familiares. A partir dessas informações, os investigadores chegaram à família de Amanda. O reconhecimento pelos parentes ajudou na apuração, mas a identificação oficial foi determinada pelo confronto das impressões digitais realizado pelo IIRGD. O delegado André Amorim, responsável pela investigação da 3ª Delegacia de Homicídios da Deic, afirmou que a equipe já trabalhava com a possibilidade de que os restos mortais fossem de Amanda antes da confirmação papiloscópica.

O principal suspeito é Marciel Jesus Dias dos Santos, de 29 anos, que está preso temporariamente e confessou o assassinato. Segundo a versão apresentada por ele, os dois teriam se conhecido em uma praça e Amanda posteriormente foi até sua casa. No imóvel, conforme o relato do investigado, ela teria iniciado uma agressão. Marciel afirma que a empurrou para se defender e que ela caiu, bateu a cabeça e perdeu a consciência. A partir daí, segundo sua versão, decidiu esconder o corpo.

A investigação aponta, porém, que o corpo foi desmembrado dentro da cozinha da residência e posteriormente transportado em sacos plásticos para diferentes pontos do Parque Estoril. Policiais encontraram no imóvel vestígios de sangue, uma manta, perfurações compatíveis com golpes de faca e produtos de limpeza que podem ter sido utilizados para eliminar vestígios. A perícia identificou ainda grande quantidade de sangue oculto no local e indícios de que a cozinha tenha sido lavada e posteriormente pintada. A arma que teria sido utilizada no crime foi localizada e apreendida. Exames necroscópicos apontaram perfurações no tórax da vítima antes do desmembramento.

A prisão de Marciel ocorreu na noite de 31 de julho, depois que câmeras de segurança registraram o suspeito carregando sacos plásticos e levando-os até lixeiras próximas a uma marmitaria no Parque Estoril. Segundo o delegado, depois de descartar partes do corpo, o homem foi a um serv-festas, onde tomou uma cerveja e socializou com outras pessoas. Marciel também nega ter mantido relação sexual com Amanda. Os exames periciais ainda são analisados para esclarecer as circunstâncias que antecederam a morte.

O investigado já havia sido alvo de uma investigação por violência doméstica. Em março deste ano, uma ex-companheira registrou ocorrência relatando agressões e posteriormente obteve uma medida protetiva. Entre as determinações judiciais estava a participação de Marciel em acompanhamento psicossocial. Em abril, o Ministério Público o denunciou por descumprimento da medida, alegando que ele não havia comparecido ao acompanhamento e também deixado de atender a uma intimação para justificar a ausência. Ele respondia ao processo em liberdade.

Com a identificação oficial de Amanda, a Polícia Civil agora concentra esforços na reconstrução dos últimos momentos da vítima e na confrontação da versão apresentada pelo suspeito com os elementos reunidos pela investigação. Neste momento, o caso é tratado como homicídio e ocultação de cadáver, mas a tipificação poderá ser revista conforme a conclusão dos exames periciais e a análise das demais provas. O corpo de Amanda deverá ser liberado para que a família realize o sepultamento.

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