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Guerra no Oriente Médio expõe fragilidade energética do Brasil, aponta ex-presidente da Petrobras

Conflito e novo choque do petróleo reacendem debate sobre refino, dependência externa e transição energética

Ygor Andrade
Por: Ygor Andrade
28/03/2026 às 16h40 Atualizada em 28/03/2026 às 16h59
Guerra no Oriente Médio expõe fragilidade energética do Brasil, aponta ex-presidente da Petrobras
FOTO: DIVULGAÇÃO

Fonte: Agência Brasil

O avanço do conflito no Oriente Médio e a tensão no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar o mercado global de petróleo e expuseram um ponto sensível no Brasil: a dependência externa de combustíveis refinados.

A avaliação é do economista José Sergio Gabrielli, que presidiu a Petrobras entre 2005 e 2012. Segundo ele, o cenário atual configura um novo choque do petróleo, com potencial de alterar de forma estrutural o comércio global de energia.

A crise ocorre em um contexto de disputas geopolíticas, mudanças nas rotas comerciais e pressão sobre grandes produtores, o que pode redesenhar o fluxo de petróleo no mundo.

Mudança no mercado global

O conflito tende a reduzir a influência do Oriente Médio no fornecimento de petróleo, abrindo espaço para outros países produtores. Nesse cenário, o Brasil aparece entre os que podem ampliar participação, ao lado de Canadá e Guiana, especialmente no abastecimento de mercados como China e Índia.

Ao mesmo tempo, a instabilidade em regiões estratégicas afeta não apenas o petróleo, mas também o mercado de gás, ampliando os impactos sobre a economia global.

Fragilidade no refino

Apesar do potencial de crescimento na exportação de petróleo bruto, o Brasil enfrenta limitações internas. A capacidade de refino ainda é insuficiente para atender a demanda nacional, especialmente no caso do diesel, o que mantém o país dependente de importações.

Essa condição se torna mais sensível em momentos de crise internacional, quando oscilações de preço e oferta impactam diretamente o mercado interno.

Na avaliação de Gabrielli, a interrupção de projetos de novas refinarias ao longo dos últimos anos contribuiu para esse cenário, reduzindo a autonomia energética do país.

Efeito imediato e limites de reação

Em situações de choque no petróleo, a resposta de curto prazo tende a ocorrer por meio de preços, já que a ampliação da capacidade de refino exige tempo e investimento.

Além disso, o funcionamento próximo do limite das refinarias atuais indica que há pouco espaço para aumento da produção interna no curto prazo.

Transição energética em debate

O cenário também reacende discussões sobre o futuro da matriz energética. Apesar do avanço de alternativas, como o hidrogênio, a avaliação é que os combustíveis fósseis ainda terão papel relevante nos próximos anos.

A tendência, no entanto, é que crises no setor acelerem mudanças no médio e longo prazo, estimulando novas tecnologias e modelos de produção.

O que isso significa na prática

Para o consumidor, o impacto mais imediato está na possibilidade de aumento nos preços dos combustíveis, especialmente em um cenário de maior instabilidade internacional. Já no médio prazo, o debate sobre segurança energética deve ganhar força, envolvendo decisões sobre investimentos, produção interna e diversificação da matriz.

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