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Brasil pode registrar 860 mil casos de dengue em 2027; São Paulo tem alerta para Chikungunya

Projeção reúne 22 modelos científicos e aponta cenário nacional semelhante ao dos últimos anos; no estado paulista, pesquisadores estimam possível aumento de casos de Chikungunya.

Ygor Andrade
Por: Ygor Andrade Fonte: AGÊNCIA BRASIL
08/11/2026 às 11h00
Brasil pode registrar 860 mil casos de dengue em 2027; São Paulo tem alerta para Chikungunya
FOTO: AGÊNCIA BRASIL

O Brasil poderá registrar aproximadamente 860 mil casos prováveis de dengue em 2027. A estimativa faz parte de um levantamento apresentado nesta sexta-feira (6), durante o webinário “Preparação para a temporada de dengue 2027”, que reuniu pesquisadores de diferentes instituições e países. Embora a projeção não indique uma epidemia nos níveis registrados em 2024, os especialistas alertam que a doença continuará exigindo atenção dos serviços de saúde e ações permanentes de prevenção.

O estudo foi elaborado a partir do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate, iniciativa que reúne equipes de pesquisa para comparar modelos e projetar o comportamento da doença no país. A terceira edição contou com 27 equipes de oito países e consolidou 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores.

A estimativa central é de 860 mil casos prováveis, mas a margem de incerteza é ampla: o total pode variar entre 560 mil e 1,6 milhão. O pico de notificações é projetado para abril de 2027, com cerca de 40 mil casos. Para efeito de comparação, o Brasil registrou aproximadamente 1,66 milhão de casos prováveis em 2025.

O que esperar em São Paulo

Para o estado de São Paulo, a projeção de dengue não aponta uma tendência de crescimento em relação à temporada anterior. O território paulista não aparece entre as unidades da Federação com previsão de aumento, grupo que inclui Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Para os demais estados, o cenário esperado é de estabilidade ou redução.

O quadro, porém, muda quando a análise considera a Chikungunya. São Paulo aparece entre os estados do Sudeste com previsão de aumento de casos da doença na próxima temporada. A estimativa nacional supera 90 mil casos prováveis, acima dos 76 mil registrados na temporada 2025–2026, embora abaixo dos 127 mil contabilizados em 2024–2025.

A diferença entre as projeções reforça a necessidade de atenção às duas arboviroses. Dengue e Chikungunya são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, mas apresentam manifestações e possíveis complicações distintas. Na Chikungunya, por exemplo, as dores nas articulações podem ser intensas e persistir por meses em parte dos pacientes.

Clima e prevenção

A expectativa de ocorrência de um super El Niño durante o verão também entrou na análise dos pesquisadores. Três modelos utilizaram variáveis climáticas, mas apresentaram diferenças sobre a intensidade e a distribuição geográfica dos possíveis efeitos. Por isso, os especialistas recomendam considerar o fenômeno como um fator de atenção e contingência, sem tratá-lo como garantia de aumento das infecções.

Mesmo com as projeções, a orientação é manter a vigilância epidemiológica e reforçar as medidas de prevenção. A eliminação de recipientes que acumulam água, a limpeza de calhas, a atenção a pneus e vasos e a procura por atendimento diante de sintomas como febre, dores no corpo e manchas na pele continuam sendo medidas importantes para reduzir a transmissão.

As estimativas ajudam gestores a organizar equipes, insumos e atendimento antes do período de maior circulação dos vírus. Não substituem, porém, o monitoramento cotidiano: o comportamento das doenças pode mudar ao longo dos meses, e as previsões precisam ser atualizadas conforme novos dados epidemiológicos e climáticos estiverem disponíveis.

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