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Trump critica combate do Brasil ao PCC e CV; governo rebate

Presidente dos EUA afirmou que facções transformaram o país em centro do fluxo global de cocaína, enquanto Ministério da Justiça citou operações, Lei Antifacção e cooperação entre os dois países

Ygor Andrade
Por: Ygor Andrade Fonte: AGÊNCIA BRASIL
17/09/2026 às 17h00
Trump critica combate do Brasil ao PCC e CV; governo rebate
FOTO: AGÊNCIA BRASIL

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o combate do Brasil às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A declaração consta em um documento enviado nesta terça-feira (15) ao Congresso americano, no qual Trump faz avaliações sobre países relacionados ao combate e ao fluxo internacional de drogas.

Segundo o presidente americano, o governo brasileiro não teria conseguido enfrentar as duas organizações, que os Estados Unidos classificaram como Organizações Terroristas Estrangeiras em maio deste ano. Trump afirmou ainda que os grupos representam uma ameaça crescente à segurança internacional e cobrou medidas mais agressivas contra as facções.

A classificação feita pelos EUA entrou oficialmente em vigor em 5 de junho e permite às autoridades americanas ampliar sanções e outras medidas contra pessoas e entidades associadas aos grupos. O governo brasileiro contestou a decisão e defendeu que o enfrentamento ao crime organizado seja conduzido pelo Brasil, com cooperação internacional e respeito à soberania nacional.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública rejeitou a avaliação de Trump e afirmou que a manifestação desconsidera as ações realizadas pelo governo brasileiro contra o crime organizado transnacional.

Em nota, a pasta citou a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que aumentou penas para integrantes de organizações criminosas e criou mecanismos voltados ao bloqueio de suas operações. O ministério também mencionou milhares de operações realizadas por forças federais e ações do programa Brasil contra o Crime Organizado.

O governo brasileiro também destacou a cooperação existente com os Estados Unidos. Segundo o Ministério da Justiça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou ao governo americano, em maio, uma proposta de medidas conjuntas envolvendo lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas.

Apesar das críticas ao Brasil, o documento de Trump não classifica o país entre aqueles que, segundo os critérios utilizados pelos Estados Unidos, teriam “falhado de maneira demonstrável” no cumprimento de obrigações internacionais de combate às drogas. Essa classificação foi atribuída a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela.

O Brasil também não aparece na relação dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas apresentada no documento. A lista inclui países como México, Colômbia, Peru, Venezuela, Bolívia e Equador.

O documento também apresenta avaliações diferentes sobre outros governos da região. Trump faz elogios a governos e mudanças políticas em países como Argentina, Equador, El Salvador, Bolívia, Colômbia e Peru, embora alguns deles permaneçam na relação americana de países considerados importantes no trânsito ou produção de drogas. A classificação, segundo o próprio documento, não significa necessariamente que o governo daquele país não coopere ou não adote medidas de combate às drogas.

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