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Saúde de Castilho investe acima da meta constitucional, mas ausência do povo em audiência preocupa gestão

Relatório do primeiro quadrimestre de 2026 revela aplicação financeira recorde e alta demanda em farmácias e hospitais; falta de participação da comunidade foi o ponto negativo do encontro

Ygor Andrade
Por: Ygor Andrade Fonte: DA REDAÇÃO
28/05/2026 às 22h45 Atualizada em 28/05/2026 às 22h55
Saúde de Castilho investe acima da meta constitucional, mas ausência do povo em audiência preocupa gestão
FOTO: YGOR ANDRADE

Por Ygor Andrade

A Secretaria Municipal de Saúde de Castilho cumpriu, na manhã da última quinta-feira, dia 28, o rito legal de apresentar à comunidade o balanço financeiro e produtivo do primeiro quadrimestre de 2026. O encontro, que obedece às regras federais de transparência pública, trouxe à tona uma radiografia detalhada do setor na cidade. No entanto, um detalhe chamou negativamente a atenção de quem acompanhou a reunião de dentro da sala: as cadeiras do plenário permaneceram praticamente vazias. Apesar da ampla divulgação prévia, a sociedade civil não compareceu para acompanhar de perto como o dinheiro público está sendo aplicado na área mais sensível do município.

A ausência da população acendeu um sinal de alerta sobre a importância da fiscalização cidadã. Sem o olhar atento dos moradores, as discussões sobre os rumos do atendimento médico perdem sua principal engrenagem de controle social. O Secretário de Saúde de Castilho, Demilson Cordeiro, lamentou o esvaziamento do plenário e reforçou que o debate precisa ser conjunto.

"Nossa equipe se empenha muito para organizar esses relatórios detalhados, pois a saúde se constrói com transparência. Quando a comunidade não participa, ela perde uma oportunidade valiosa de entender os desafios do município, avaliar o que está funcionando e nos ajudar a direcionar as melhorias exatamente para onde a carência é maior", pontuou o chefe da pasta.

 

 

Mesmo sem o público nas galerias, os números apresentados revelaram uma estrutura que trabalhou sob forte pressão e alta demanda nestes primeiros quatro meses do ano. O grande destaque do balanço ficou por conta da assistência farmacêutica municipal. Juntas, a farmácia instalada no Centro Integrado de Saúde, o CIS, e as duas farmácias satélites — que atendem os moradores dos bairros rurais e periféricos de Jupiá e São Luís — realizaram a impressionante marca de 18.877 atendimentos. Esse fluxo intenso resultou na distribuição gratuita de quase dois milhões de medicamentos à população castilhense.

FOTO: Castilho Notícias

 

Outro setor que demonstrou a robustez do serviço público local foi a área de diagnósticos e consultas na Atenção Básica. O município viabilizou a realização de 39.065 exames laboratoriais, cuidando diretamente da saúde de mais de 4,5 mil pacientes. Além disso, as unidades de saúde registraram cerca de 17 mil consultas médicas divididas entre clínicos gerais, pediatras, ginecologistas e os profissionais que atuam na linha de frente da Estratégia de Saúde da Família, demonstrando uma cobertura que busca atingir os moradores tanto da zona urbana quanto da rural.

A audiência pública também funcionou como um termômetro para o enfrentamento de endemias, com foco especial na dengue, que historicamente desafia a região neste período do ano. A Vigilância Epidemiológica atualizou o mapa da doença na cidade, contabilizando 127 notificações entre os meses de janeiro e abril. Desse total, as equipes médicas confirmaram 25 casos positivos, enquanto outros 95 foram oficialmente descartados após análises laboratoriais. Para conter o avanço do mosquito transmissor, o setor de controle de vetores intensificou os trabalhos, somando mais de 7,6 mil ações de bloqueio, nebulizações e visitas preventivas aos imóveis.

Na retaguarda do atendimento de urgência, os dados da contratualização com a Sociedade Beneficente de Castilho – Hospital e Maternidade José Fortuna – ratificaram a forte dependência do município em relação ao Pronto Socorro. A unidade hospitalar registrou expressivos 37.617 procedimentos médicos e de enfermagem no quadrimestre. Apenas o setor de enfermagem do PS absorveu mais de 24 mil atendimentos, o que engloba os serviços rotineiros de aferição de pressão arterial, curativos e os mais de 13 mil acolhimentos que passam pelo protocolo de classificação de risco. Para manter essa estrutura de pé, os repasses financeiros ao hospital ultrapassaram a cifra de R$ 3,7 milhões em verbas municipais e federais.

Toda essa engrenagem de consultas, exames, remédios e plantões hospitalares exige um esforço orçamentário que, segundo o relatório, superou as metas exigidas pela legislação nacional. No fechamento financeiro do período, ficou demonstrado que Castilho aplicou 26,57% de suas receitas próprias na Saúde. O índice ultrapassa com folga o limite mínimo fixado pela Constituição Federal, que obriga os municípios a investirem ao menos 15% de sua arrecadação na área. Em valores absolutos, as despesas totais para manter o sistema rodando alcançaram o patamar de R$ 15,9 milhões.

O secretário Demilson Cordeiro usou o fechamento dos dados fiscais para fazer um apelo final sobre a coparticipação dos munícipes.

"Investir mais de 26% do nosso orçamento prova o compromisso da administração em manter a máquina da saúde funcionando e abastecida. Mas os números sozinhos não resolvem tudo; nós precisamos do cidadão presente aqui, nas audiências, validando esse trabalho e apontando os gargalos. O convite fica aberto para os próximos encontros, pois uma saúde pública eficiente e verdadeiramente democrática só se constrói quando o governo apresenta as contas e o povo ocupa o seu lugar de direito", concluiu o secretário.

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